domingo, 26 de janeiro de 2014

Singela homenagem ao meu berço


                                      
                                        460 anos de indecisão


São Paulo. Ame-a ou odeie-a. Já ouvi muito isso por aí. Eu já acho que não existe disso não. Em se tratando de São Paulo, a ambivalência é o que prevalece. Reclamo, xingo, posso enumerar 460 defeitos. Mas é só deixar a cidade da garoa por um período extenso que a saudade é um dos sintomas imediatos que não negam o amor que cultivo por cada canto seu.
             Odeio o trânsito de São Paulo mas amo suas vielas, ruas e avenidas. Odeio a chuva de verão que transborda rios, destrói casas e sonhos mas amo o amálgama que é o céu logo depois que essa tormenta passa; uma pintura mesclando azul, roxo, rosa, vermelho, enfim, uma paisagem estonteante que jamais vislumbrei em nenhuma das outras cidades que já visitei. Odeio a sensação de estar em meio a uma manada de elefantes famintos e impacientes quando tenho que pegar a linha vermelha às 18:30 da noite mas amo as cores, a limpeza -acreditem, o nosso metrô é LIMPO- e até a voz sedutora que anuncia qual a próxima estação do metrô. Odeio a hostilidade que há tempos se aloja no centro da cidade, mas ao mesmo tempo amo a suntuosidade dos edifícios que compõe o miolo paulistano. A excitação que sente meu coração ao cruzar a Ipiranga e a São João. Odeio o preço absurdamente injusto que alguns restaurantes se dão ao luxo de cobrar por um modesto prato, mas amo poder sair em plena madrugada e ter um leque esperando para matar minha fome. Gastronomia japonesa, mexicana, fast food, todas com o sinal que tanto atrai os olhos dos boêmios da noite: 24h. Odeio a frase “o shopping é a praia dos paulistanos” mas, também, amo o fato de termos belíssimos paraísos de areia e água salgada a menos de duas horas da nossa imensidão de concreto.
             Já li por aí que São Paulo é um cinzeiro, São Paulo é uma selva de pedras, São Paulo é isso, São Paulo é aquilo. E não nego que algumas de suas facetas transpareçam tudo isso. Mas São Paulo também é miscigenação, é afeição, é êxtase, é requinte. Que me desculpe Criolo, grande compositor que se consagrou quase como um divisor de águas do rap nacional, mas ele realmente me causa um nó na orelha ao cantar com tanta veemência que não existe amor em SP. Os bares podem até estar cheios de almas vazias, mas também estão lotados de caipirinhas como as que só o brasileiro sabe fazer. A ganância vibra, mas a generosidade grita. A vaidade excita, mas também embeleza.
             Sou paulistana da gema, e é em São Paulo que, mesmo com a asfixiante camada de poluição, eu respiro, vivo e sinto o amor. Pode estar em evidência, pode estar escondido, é só saber procurar nos lugares certos. Existe amor. 


                                                                   Paula Pauli

sábado, 25 de janeiro de 2014

No balanço do kALÉMdoscópio...

Caleidoscópio. Do grego, kalós, que significa "belo, bonito", éidos, traduz-se por "imagem, figura" e scopéo, que quer dizer "ver, observar". Caleidoscópio. um tubo de cartão ou metal com pequenos pedaços de vidro que, por meio da luz, proporciona variações de cores e formas à medida em que é inclinado. Caleidoscópio. Uma vertigem que se apossa de um dos olhos, numa dimensão tão real, com cores que se esbarram e formatos além dos limites.

kALÉMdoscópio. variação de cores e formas, mas também de pensamentos. Enxergue além. Pense além. além. Gire o mundo ao seu redor para que ele não se enferruje e para que você não fique fadigado. Gire o seu kalémdoscópio para que a sua visão de mundo passe longe daquelas bitoladas, enganadas ou, o pior vazias.